Livros interativos estimulam o desenvolvimento infantil e fortalece vínculo entre pais e filhos

* Leitura pode começar nos primeiros meses de vida e favorece linguagem, imaginação e conexão emocional. - (Foto/Ilustrativa: Freepik)

Criar o hábito da leitura pode começar muito antes de a criança aprender a falar ou compreender histórias. Para muitos pais, ler para um bebê ainda parece cedo demais — mas especialistas apontam que o contato com livros desde os primeiros meses de vida traz impactos importantes para o desenvolvimento infantil.

Mais do que entender o enredo, o bebê se beneficia da experiência: ouvir a voz dos pais, observar imagens e explorar o livro com as mãos. A leitura, nesse contexto, se transforma em um momento de vínculo afetivo, estímulo sensorial e construção da linguagem.

A pediatra neonatologista Dra. Cecília Gama, coordenadora do núcleo de pediatria da Clínica Mantelli, recomenda que esse contato aconteça desde o nascimento. “Mesmo que o bebê ainda não compreenda a história, ele já se beneficia do ritmo da fala, da voz dos pais e da interação durante a leitura. Nos primeiros meses, o mais importante não é a narrativa, mas a experiência de conexão”, explica.

Para Carmen Pareras, diretora editorial da Distribuidora Librum, o papel do livro na primeira infância vai além do desenvolvimento cognitivo. “O livro é uma ponte entre pais e filhos. Mesmo antes de compreender palavras, a criança percebe o afeto, a presença e a atenção dedicados naquele momento. É aí que nasce não só o interesse pela leitura, mas também a memória afetiva em torno dos livros”, afirma.

Primeiros livros: simples, resistentes e visuais

Nos primeiros meses de vida, os livros funcionam quase como uma extensão das descobertas do bebê sobre o mundo. Nessa fase, os mais indicados são os de pano, plástico ou cartonados, que podem ser manipulados com segurança.

As imagens têm papel essencial. Figuras grandes, com alto contraste — especialmente em preto e branco — ajudam a estimular a visão, que ainda está em desenvolvimento. Histórias curtas ou páginas com poucas palavras também facilitam a interação. Ao apontar imagens e nomear objetos, os pais ajudam o bebê a criar conexões entre sons, palavras e significados.

“Os livros interativos têm um papel importante porque convidam a criança a participar da leitura desde muito cedo. Elementos como abas, texturas e movimentos despertam a curiosidade e ajudam a transformar o livro em uma experiência mais envolvente, que dialoga com diferentes fases do desenvolvimento infantil”, acrescenta Carmen Pareras.

Livros acompanham o crescimento da criança

À medida que a criança cresce, os livros também evoluem, acompanhando seu desenvolvimento cognitivo, motor e emocional.

Entre 0 e 6 meses, a exploração é principalmente sensorial — com olhos, mãos e, muitas vezes, a boca. Já dos 6 aos 12 meses, livros com imagens de objetos do cotidiano, como animais, alimentos e rostos, passam a fazer mais sentido. Elementos interativos, como texturas e abas, aumentam o interesse.

A partir de 1 ano, entram em cena os livros interativos, que convidam a criança a participar ativamente da leitura. Obras com abas para abrir, texturas para tocar e histórias repetitivas ajudam a desenvolver atenção e curiosidade.

Entre 2 e 3 anos, as narrativas começam a ganhar estrutura, com começo, meio e fim. Nessa fase, além da linguagem, os livros também estimulam a imaginação e a identificação emocional.

Com o tempo, o livro deixa de ser apenas um objeto sensorial e passa a ocupar um papel importante na construção da linguagem, da criatividade e das emoções.

Por que livros são melhores que telas na primeira infância

Nos primeiros anos de vida, o cérebro passa por um período intenso de formação de conexões neurais. Por isso, experiências baseadas na interação humana são consideradas fundamentais para um desenvolvimento saudável.

Durante a leitura compartilhada, diferentes habilidades são estimuladas ao mesmo tempo: linguagem, vocabulário, imaginação, atenção, memória e vínculo afetivo.

O uso precoce de telas, por outro lado, tem sido associado a atrasos na linguagem, menor capacidade de atenção, pior qualidade do sono e redução das interações entre pais e filhos.

Por esse motivo, entidades como a American Academy of Pediatrics recomendam evitar telas antes dos 2 anos de idade e priorizar atividades como brincar, conversar e ler com a criança.

“O livro convida à interação. Ele abre espaço para perguntas, para a imaginação e para a conversa entre o adulto e a criança”, reforça a pediatra.

Nem todo livro infantil é ideal

Apesar dos benefícios, é importante escolher bem. Livros com muitos estímulos eletrônicos — como sons automáticos, luzes ou botões — podem tornar a experiência mais passiva, semelhante a um brinquedo eletrônico.

Obras muito complexas para a faixa etária, com histórias longas ou excesso de informações, também podem gerar frustração e desinteresse.

Para a especialista, o principal está além do objeto em si. “O valor da leitura não está apenas no livro, mas no momento compartilhado. O ideal é escolher obras adequadas à idade e transformar a leitura em um espaço de vínculo, conversa e descoberta”, conclui a Dra. Cecília Gama.

Serviço:

LEGO Classic: Construções em 5 minutos - 113,91 reais

Editora: Catapulta

Autor: Simon Beecroft

Formato: Livro em caixa com peças LEGO

Páginas: 96

Idade recomendada: a partir de 7 anos

Sinopse: O livro reúne mais de 100 ideias de construções, jogos, quebra-cabeças e desafios para montar usando blocos LEGO®. As atividades foram pensadas para serem realizadas em poucos minutos, estimulando a criatividade, o raciocínio lógico e a imaginação das crianças. O kit acompanha peças que permitem colocar as propostas em prática imediatamente. 

Abremente Neuro 6–7 -  44,01 reais

Autores: Os editores da Catapulta

Editora: Catapulta

ISBN: 978-65-5551-026-3

Formato: leque (formato de cabeça e cérebro)

Tamanho: 14 x 9 cm

Páginas: 114

Idade recomendada: a partir de 6 anos

Sinopse: Parte da nova coleção Abremente Neuro, o livro convida crianças de 6 a 7 anos a explorar o funcionamento do cérebro enquanto se divertem com jogos e desafios. Com formato de leque em forma de cabeça e cérebro, a obra apresenta diversas atividades e experimentos que estimulam memória, atenção, sentidos, criatividade e outras habilidades cognitivas, transformando o aprendizado em uma experiência lúdica e interativa.

Abremente Escrever e Apagar – Desenhos - 51,20 reais 

Coleção: Abremente

Editora: Catapulta

ISBN: 978-65-5551-139-0

Formato: leque com lousa reutilizável

Tamanho: 20 x 24 cm (lousa: 20 x 27 cm)

Páginas: 26

Idade recomendada: a partir de 3 anos

Sinopse: Voltado para crianças de 3 a 6 anos, o livro integra uma coleção que estimula o letramento por meio de atividades práticas e divertidas. Com propostas para identificar e traçar rabiscos, desenhos, letras, números, gráficos e formas, a publicação incentiva a prática repetida e o desenvolvimento da coordenação motora. O kit inclui lousa reutilizável, marcador com borracha para escrever e apagar quantas vezes quiser, contornos em relevo para guiar o traçado com os dedos, fecho elástico e personagens que acompanham as atividades ao longo do livro.

 

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