* Modelo inspirado no esporte de alto rendimento ganha espaço na gestão e reforça resultados consistentes no longo prazo. - (Foto: Divulgação)
A busca por resultados imediatos tem levado empresas a ciclos de crescimento instáveis, com picos de faturamento seguidos por perdas de eficiência e desgaste de equipes. Esse fenômeno, frequentemente descrito como gestão por espasmos, contrasta com o que sustenta empresas longevas. Ao mesmo tempo, avança o interesse por modelos baseados em consistência, disciplina e visão de longo prazo, inspirados em práticas do esporte de alto rendimento. A discussão ganha força entre lideranças que buscam sustentabilidade nos resultados e construção de legado, diante de uma pressão crescente por produtividade aliada à saúde organizacional.
Valquíria Mendes, mentora de alta performance, empresária contábil e triatleta, tem levado para o ambiente corporativo princípios que vivencia no esporte, como constância, preparo e disciplina. Com mais de 30 anos de atuação empresarial e experiência na formação de líderes, ela defende que a lógica da performance sustentável começa antes da execução. “No esporte, você não treina só quando quer resultado. Você treina todos os dias, com consistência. Nas empresas, deveria ser igual. O problema é que muitos líderes ainda operam por impulso e não por estratégia de longo prazo”, afirma.
Gestão impulsiva compromete resultados de longo prazo
Levantamento da Gallup, divulgado em 2025, aponta que equipes altamente engajadas apresentam até 23% mais rentabilidade e 18% mais produtividade em comparação com equipes menos engajadas. Já estudo da McKinsey, também atualizado em 2025, indica que empresas que priorizam disciplina operacional e gestão estruturada conseguem ganhos de eficiência superiores a 20% em relação a concorrentes que operam de forma reativa.
O paralelo com o triatlo ajuda a dimensionar o desafio empresarial. A modalidade exige preparação contínua, equilíbrio entre diferentes capacidades e controle emocional ao longo de toda a prova. “O empresário que busca só velocidade, sem estrutura, quebra no meio do caminho. Performance sustentável exige ritmo, preparo e clareza de direção. Não é sobre fazer mais, é sobre sustentar o que se faz. No triatlo, se você queima a largada, não termina a prova; no mundo corporativo, se você desgasta a equipe em um trimestre, compromete o ano inteiro”, diz.
Rotina estruturada aumenta sobrevivência das empresas
Esse entendimento tem impacto direto na forma como empresas organizam suas operações. Em vez de priorizar resultados pontuais, cresce a adoção de rotinas estruturadas, acompanhamento contínuo de indicadores e desenvolvimento de lideranças internas. Segundo o Sebrae, em relatório publicado em 2025, pequenos e médios negócios que adotam planejamento estratégico contínuo têm até 60% mais chances de sobreviver após cinco anos de atividade.
A prática mostra que disciplina não está restrita a processos, mas à postura do líder diante das decisões. “A empresa é reflexo direto de quem lidera. Se o líder é inconsistente, a operação também será. Se ele tem clareza e constância, isso se traduz em cultura e resultado”, afirma.
Para implementar essa transição, Valquíria sugere três pilares práticos que conectam o esporte ao board executivo:
1. Cultura de rotina (ritmo de prova) : Substituir reuniões de crise por rituais de acompanhamento.
2. Educação continuada (treino de base): O desenvolvimento do time deve ser diário, não um evento anual.
3. Saúde organizacional (gestão de energia): Reconhecer que o descanso e a análise de dados são parte do desempenho, não uma interrupção.
Saúde organizacional entra no centro da performance
Outro ponto central é a relação entre constância e saúde organizacional. A Organização Mundial da Saúde estima que transtornos ligados ao estresse e à ansiedade geram perda global de produtividade equivalente a cerca de US$ 1 trilhão por ano, dado utilizado em análises recentes de consultorias como a Deloitte em 2025. A sobrecarga, muitas vezes associada à falta de planejamento e à pressão por resultados imediatos, compromete tanto o desempenho quanto a retenção de talentos.
Na avaliação da especialista, a disciplina aplicada à liderança também funciona como um mecanismo de proteção contra esse desgaste. “Quando existe clareza de processo e rotina bem definida, a equipe trabalha com mais segurança e menos desgaste. A constância reduz o caos. E menos caos significa mais resultado sustentável”, afirma.
A incorporação desses princípios também altera a forma como líderes lidam com tempo e crescimento. Em vez de decisões impulsivas, o foco passa a ser a construção progressiva de resultados. “Nenhum atleta constrói performance em um único dia. Nos negócios, também não. O que constrói legado é repetição, ajuste e continuidade”, diz.
Esse movimento já é observado em empresas que buscam crescimento sólido e previsível. Ao substituir a lógica de picos por consistência, organizações conseguem reduzir riscos, melhorar eficiência e fortalecer a cultura interna.
“O resultado que dura não nasce de esforço isolado. Ele nasce da disciplina que se sustenta mesmo quando ninguém está olhando”, conclui.
Fonte de pesquisa
Gallup (State of the Global Workplace 2025)
https://www.gallup.com/workplace/349484/state-of-the-global-workplace.aspx
McKinsey & Company (Operational excellence and productivity insights)
https://www.mckinsey.com/capabilities/operations/our-insights
Sebrae (Sobrevivência de empresas no Brasil)
https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/sobrevivencia-das-empresas-no-brasil
Organização Mundial da Saúde (mental health at work / productivity loss)
https://www.who.int/publications/i/item/9789240053052
Deloitte (Workplace mental health and productivity 2025)
https://www2.deloitte.com/global/en/insights/topics/talent/mental-health-and-employers.html
Sobre Valquíria Mendes
Valquíria Mendes é mentora de alta performance e consultora de empresários, com mais de 30 anos de experiência como empresária contábil. Graduada em Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Direito, possui MBAs em Gestão de Empresas, Gestão de Pessoas e Estratégias de Negócios, além de pós-graduação em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness. Lidera uma empresa que atende mais de 600 clientes de forma recorrente.
Sua atuação é focada no desenvolvimento estratégico e comportamental de líderes empresariais, integrando gestão, organização financeira e fortalecimento da mentalidade empreendedora. Defende que crescimento sustentável depende de clareza, disciplina e tomada de decisão estruturada.
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