* Dra. Alessandra Schneider, médica pneumologista e professora do IDOMED. - (Foto: Divulgação)
Fenômeno já influencia padrões climáticos ao redor do mundo e pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses; no Brasil, calor, baixa umidade e risco de queimadas preocupam
O El Niño de 2026 está ganhando força e pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas. Confirmado em junho, o fenômeno tem 81% de probabilidade de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, segundo dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com base em projeções da NOAA. O episódio pode ficar entre os mais fortes registrados desde 1950.
Eventos dessa magnitude costumam ser chamados popularmente de “super El Niño”, embora o termo não faça parte da classificação oficial adotada pela Organização Meteorológica Mundial, que utiliza as categorias fraco, moderado, forte e muito forte.
O fenômeno influencia temperaturas e padrões de chuva em diferentes partes do planeta. Para os próximos meses, há maior probabilidade de temperaturas acima da média em diversas regiões, além de alterações na distribuição das chuvas, com possibilidade de secas em algumas áreas e precipitações intensas em outras.
No Brasil, a previsão para o trimestre entre agosto e outubro indica chuvas acima da média em áreas do Sul e abaixo da média em grande parte do centro-norte. As temperaturas devem ficar elevadas em praticamente todo o território nacional, cenário que pode favorecer ondas de calor e períodos de baixa umidade.
No Sudeste, essas condições exigem atenção especialmente durante o período mais seco do ano. Em São Paulo, entre 13 e 19 de agosto, a Defesa Civil do Estado mantém alerta para calor intenso, baixa umidade e risco elevado de incêndios em vegetação em diferentes regiões do interior.
A combinação entre calor, ar seco e fumaça pode repercutir na saúde respiratória. Segundo a Dra. Alessandra Schneider, médica pneumologista e professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica), o El Niño não provoca diretamente doenças respiratórias, mas pode favorecer condições ambientais capazes de aumentar o desconforto e agravar problemas já existentes.
“Quando a umidade fica muito baixa, as mucosas das vias respiratórias tendem a ficar mais ressecadas e sensíveis. Se esse cenário vier acompanhado de fumaça de queimadas e maior concentração de poluentes no ar, podem surgir sintomas como tosse, irritação no nariz e na garganta, chiado e falta de ar, além da piora de doenças respiratórias”, explica.
A fumaça dos incêndios contém partículas finas capazes de alcançar regiões profundas do sistema respiratório. Crianças, idosos e pessoas com asma, bronquite, rinite, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a DPOC, e outras condições respiratórias estão entre os grupos que exigem maior atenção.
“Quem já possui uma doença respiratória deve manter corretamente o tratamento prescrito e observar mudanças no padrão dos sintomas. Em períodos de fumaça ou baixa umidade, é importante reduzir a exposição e evitar atividades físicas intensas ao ar livre. Dificuldade para respirar, falta de ar intensa ou chiado persistente são sinais que precisam de avaliação médica”, orienta Alessandra.
Entre os cuidados recomendados estão beber água regularmente, utilizar soro fisiológico para hidratar as vias nasais e evitar exercícios ao ar livre nos períodos de maior calor ou presença de fumaça. Em ambientes muito secos, a umidificação pode ajudar, desde que os equipamentos sejam higienizados adequadamente.
A intensidade do El Niño aumenta a probabilidade de determinados impactos climáticos, mas não significa que cada onda de calor, seca, chuva extrema ou incêndio seja consequência direta do fenômeno. Os efeitos dependem da interação com outros sistemas atmosféricos e podem variar entre as regiões.
Com a previsão de fortalecimento do El Niño ao longo do segundo semestre e permanência do fenômeno até 2027, acompanhar as condições meteorológicas também se torna importante para reduzir impactos sobre a saúde, especialmente nos períodos de calor, baixa umidade e piora da qualidade do ar.
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