Medicina Intensiva Pediátrica: médica orienta sobre sinais de emergência em crianças que exigem avaliação imediata

* Dra. Carolina Antoniazzi Soeiro, pediatra e especialista em Medicina Intensiva Pediátrica, destaca que dificuldade para respirar, alteração de consciência, convulsões e sinais de desidratação estão entre situações que não devem ser observadas apenas em casa. - (Foto: Divulgação)

Seja por problemas de saúde ou descuidos que geram acidentes fatais, o número de ocorrências de urgência e emergência pediátrica vem aumentando, nas redes pública e particular de atendimento. Nem sempre os pais, cuidadores ou até mesmo professores sabem como lidar com essas situações que são rotina na vida da Dra. Carolina Antoniazzi Soeiro, pediatra com formação em Medicina Intensiva Pediátrica e atuação na área de urgência pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

Dados do Ministério da Saúde mostram a relevância dos problemas respiratórios na pediatria. Em 2022, as doenças do aparelho respiratório foram a principal causa de internação entre crianças de 1 a 4 anos, com 229.950 registros, e também entre aquelas de 5 a 9 anos, com 103.582 internações. 

Para a Dra. Carolina, os pais devem observar principalmente o esforço que a criança está fazendo para respirar, e não apenas a presença de tosse ou coriza. “Respiração muito rápida, dificuldade para respirar, chiado intenso, batimento das asas do nariz, retração da região abaixo das costelas e coloração arroxeada dos lábios ou extremidades são sinais que exigem atenção”, detalha. 

O Ministério da Saúde considera sinais gerais de perigo a presença de dificuldade para beber ou mamar, vômitos de tudo o que é ingerido, convulsões, letargia ou inconsciência e alterações importantes da respiração. Crianças com esses sinais devem ser avaliadas urgentemente. 

A atenção deve ser ainda maior nos bebês. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus sincicial respiratório é uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças menores de dois anos e pode evoluir para quadros respiratórios graves. Entre os sinais de agravamento estão respiração rápida ou difícil, dificuldade para se alimentar, coloração arroxeada e alteração do estado de consciência.

Nem toda febre significa emergência

Na sala de atendimento o olhar especializado separa um quadro aparentemente comum daquele que pode evoluir para apresentar sinais de gravidade, necessitando de avaliação médica imediata. A febre é um dos sintomas que mais geram preocupação entre os pais, mas a temperatura, isoladamente, não determina a gravidade de um quadro.

“Mais importante do que observar apenas o número apresentado pelo termômetro é avaliar como a criança está se comportando, se consegue beber líquidos, se está ativa ou excessivamente sonolenta e se apresenta outros sintomas associados”, explica Dra. Carolina. 

Outro motivo frequente de procura por atendimento pediátrico são os episódios de vômitos e diarreia. Nesses casos, os pais devem observar sinais como dificuldade para beber, redução importante da ingestão de líquidos, sonolência ou prostração, olhos fundos e alterações na pele, especialmente quando os sintomas são intensos ou persistentes.

Situações envolvendo perda de consciência, convulsões ou alteração importante do comportamento também estão entre os sinais que não devem ser banalizados. Nessas situações, especialmente quando há dificuldade respiratória, trauma associado ou alteração persistente do nível de consciência, a orientação é procurar atendimento de emergência. Em situações de risco de morte, sequelas ou sofrimento intenso, o SAMU 192 pode ser acionado gratuitamente, 24 horas por dia. O serviço realiza a regulação médica e orienta os primeiros cuidados até a chegada da equipe.

Acidentes também fazem parte da urgência pediátrica

Quedas, traumas, afogamentos, queimaduras, intoxicações e choques elétricos são outras situações nas quais os pais precisam saber reconhecer a gravidade. Nesses casos, a recomendação é não tentar resolver sozinho uma situação potencialmente grave. O SAMU orienta o acionamento do serviço em ocorrências como afogamentos, queimaduras graves, intoxicações, envenenamentos, choques elétricos e acidentes com vítimas.

Para a Dra. Carolina, a informação é uma ferramenta importante de prevenção, mas não substitui a avaliação médica. “Em pediatria, é muito importante que os pais observem a criança como um todo. Mudanças no comportamento, na respiração, na capacidade de beber líquidos ou no nível de consciência podem ser mais importantes do que um sintoma isolado. Quando existe dúvida sobre a gravidade, a avaliação de um profissional é a maneira mais segura de definir a conduta.”

A orientação não significa que todos esses sintomas tenham necessariamente a mesma causa ou gravidade. A avaliação deve considerar a idade da criança, o histórico clínico, a duração dos sintomas e o conjunto de sinais apresentados.

Sobre a Dra. Carolina Antoniazzi

Dra. Carolina Antoniazzi Soeiro, CRM-SP 159.909, é médica pediatra e especialista em Medicina Intensiva Pediátrica. Possui residência médica em Pediatria e Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, além de mestrado em Pediatria.

 

 

 

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