Governança e liderança: os pilares que sustentam o impacto do Terceiro Setor

* Por David Braga. - (Foto: Arquivo/Prime Talent) 

Em um cenário marcado por desigualdades sociais profundas e desafios estruturais persistentes, o Terceiro Setor assume um papel cada vez mais estratégico na construção de soluções sustentáveis para a sociedade. No entanto, para que iniciativas sociais gerem impacto real e duradouro, não basta apenas ter uma causa nobre ou boas intenções. É necessário algo fundamental: governança sólida, lideranças capacitadas e uma rede de pessoas e organizações comprometidas com o propósito.

A experiência de organizações como o ChildFund Brasil ilustra bem essa realidade. Com 87 anos de atuação global, presença em mais de 70 países e 59 anos de atuação no Brasil, a entidade construiu uma trajetória marcada por credibilidade, impacto social e fortalecimento de comunidades vulneráveis. Hoje atua em 8 estados e 97 municípios brasileiros, sendo reconhecida entre as melhores ONGs do país e referência na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Mas o impacto social de uma instituição não se constrói apenas por meio de projetos isolados. Ele exige um modelo consistente de governança. Estruturas organizacionais claras, conselhos atuantes, transparência na aplicação de recursos e processos de prestação de contas são elementos que fortalecem a confiança da sociedade e garantem a sustentabilidade das iniciativas. No caso do ChildFund Brasil, por exemplo, o modelo de governança inclui Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Assembleia e comitês de assessoramento, além de auditorias independentes e relatórios alinhados a padrões internacionais de sustentabilidade.

Essa estrutura não é apenas formalidade institucional. Ela é o que permite transformar recursos em impacto real. Segundo dados institucionais, 75% dos recursos da organização são aplicados diretamente em programas sociais, demonstrando um compromisso concreto com eficiência e responsabilidade na gestão.

Os resultados desse modelo de atuação são expressivos. No Brasil, o ChildFund já alcançou 1,3 milhão de pessoas, impactou diretamente mais de 189 mil indivíduos e mobilizou mais de 1.300 voluntários, além de envolver milhares de famílias em programas de apadrinhamento e desenvolvimento comunitário. Esses números refletem um trabalho que vai muito além da assistência pontual, estruturado em pilares como saúde, educação, proteção infantil e desenvolvimento de habilidades para a vida.

No centro de todo esse processo estão as lideranças. O Terceiro Setor exige gestores capazes de equilibrar sensibilidade social com rigor de gestão. Liderar uma organização social significa lidar simultaneamente com propósito, impacto, captação de recursos, articulação institucional e gestão de pessoas. Por isso, quem atua nesse campo desenvolve competências altamente valorizadas no mundo contemporâneo: pensamento sistêmico, inteligência emocional, capacidade de mobilização, visão estratégica, gestão de stakeholders e tomada de decisão em contextos complexos.

Outro fator essencial para ampliar o impacto social é o engajamento da sociedade. O Terceiro Setor não se sustenta apenas por organizações; ele depende da participação ativa de pessoas e empresas que acreditam na causa. Programas de apadrinhamento, doações, voluntariado e parcerias corporativas são formas concretas de transformar solidariedade em ação estruturada.

Quando indivíduos e empresas se conectam a uma causa, tornam-se parte de uma rede que amplia a capacidade de transformação social. O impacto deixa de ser apenas institucional e passa a ser coletivo. Em um país onde milhões de crianças ainda vivem em situação de vulnerabilidade, fortalecer organizações sérias, com governança responsável e liderança qualificada, é mais do que apoiar projetos sociais; é investir no futuro da sociedade. A pergunta que permanece é simples, mas poderosa: se sabemos que causas bem estruturadas transformam vidas, qual será o nosso papel nessa transformação?

David Braga – CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países e 50 escritórios pela Agilium Group. Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG); É conselheiro de Administração e professor pela Fundação Dom Cabral e Presidente do Conselho de Administração da ONG ChildFund Brasil. Instagrams: @davidbraga | @prime.talent

 

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