Uso das facas: afinal corta como e come com que mão?

Os costumes americanos invadiram a cultura britânica ao longo das últimas décadas: aparentemente, os britânicos começaram a usar seus garfos “`a moda americana”.

De acordo com a etiqueta  do “cortar e alternar” dos EUA, os clientes começam com o garfo na mão esquerda e a faca na direita, mas depois de terem cortado o que quer que seja, o garfo é transferido para a mão direita.

De acordo com uma nova pesquisa, 23% dos adultos do Reino Unido abandonaram o tradicional estilo europeu – onde o garfo permanece na mão esquerda – em favor do estilo americano. Acredita-se que até um terço dos jovens britânicos adotaram a troca de garfo estilo americano. Aliás, a  América do Norte era, até recentemente, o único lugar em que essa tradição se mantinha.

Os utensílios pontiagudos eram usados há muito tempo na cozinha, mas os garfos não chegavam às mesas europeias até o século XI e, por centenas de anos depois, foram  considerados por muitos como uma extravagância decadente e vulgar. Facas e colheres eram ferramentas necessárias; o garfo era apenas um substituto delicado… para os dedos. Aparentemente, Luís XIV proibiu seus filhos de comerem com garfos.

Na verdade, os dois estilos são considerados “corretos” na América do Norte, e é raro encontrar alguém nos Estados Unidos defendendo a técnica do corte e troca. Já em 1928, a especialista em etiqueta americana Emily Post escreveu que:  “ziguezaguear o garfo da mão esquerda para a direita – em quase todos os cantos do mundo –  é uma prática ridícula do pretenso elegante que nunca é visto na melhor sociedade”.

Em geral, acho mesmo que os costumes e práticas que funcionam devem ser  globalizados e adotados por todos, mas nesse caso acho que vou concordar com Emily Post, que afinal de contas é ainda uma referência e tanto no quesito etiqueta e elegância: pra que tanto movimento? Corte e coma – sem troca troca…


por Claudia Matarazzo – jornalista & Escritora

Jornalista e Especialista em etiqueta e comportamento. Viaja por todo o Brasil, ministrando palestras e workshops na área do comportamento. Autora de 18 livros sobre comportamento, moda e inclusão social, ganhou o Premio Abril de Jornalismo.

Fonte/Crédito: http://www.claudiamatarazzo.com.br
Fotos: Ilustrativas/Divulgação

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