Outono e ar seco: por que nariz e garganta sofrem mais nessa época do ano

* Queda da umidade favorece irritações, crises alérgicas e aumento de infecções respiratórias, especialmente em crianças, idosos e pessoas com rinite. - (Foto: Divulgação/Hospital Paulista de Otorrinolaringologia)

A chegada do outono costuma trazer temperaturas mais amenas e clima agradável em muitas regiões do país. Mas, junto com essas mudanças, surge um fenômeno que impacta diretamente a saúde respiratória: a queda da umidade do ar.

Quando o ambiente fica mais seco, o organismo sente rapidamente os efeitos — especialmente no nariz e na garganta, estruturas que funcionam como a primeira linha de defesa do sistema respiratório.

Segundo a otorrinolaringologista Anike Nascimbem, do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, a combinação entre ar mais seco, temperaturas mais baixas e maior permanência em ambientes fechados cria um cenário propício para o aumento das queixas respiratórias.

“Com a diminuição da umidade do ar, as mucosas do nariz e da garganta ficam mais ressecadas. Ao mesmo tempo, as pessoas passam mais tempo em locais fechados, o que favorece a circulação de vírus e bactérias. A soma desses fatores contribui para o aumento das doenças respiratórias durante o outono”, explica.

Umidade baixa compromete a defesa natural do nariz

O nariz possui um mecanismo sofisticado de proteção: a mucosa nasal produz muco e conta com pequenos cílios microscópicos responsáveis por transportar impurezas, partículas e micro-organismos para fora das vias aéreas.

Quando o ar está muito seco, esse sistema começa a perder eficiência. “As secreções nasais ficam mais espessas e a limpeza natural da mucosa ocorre de forma mais lenta. Isso facilita o acúmulo de muco e pode favorecer a proliferação de vírus e bactérias”, afirma a especialista.

Esse processo aumenta o risco de infecções respiratórias e também favorece crises de doenças alérgicas.

Quem sofre mais com o tempo seco?

Alguns grupos costumam sentir mais intensamente os efeitos da baixa umidade do ar. Entre eles estão:

• crianças

• idosos

• pessoas com rinite alérgica

• pacientes com asma

Nesses casos, os sintomas podem aparecer com mais frequência ou intensidade.

Entre os sinais mais comuns estão:

• espirros frequentes

• tosse seca

• coceira no nariz e nos olhos

• sensação de garganta seca ou irritada

• congestão nasal

• aumento de crises de rinite e sinusite

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% da população mundial sofre com algum tipo de rinite, condição que tende a piorar em períodos de clima seco ou maior exposição a alérgenos.

Mais tempo em ambientes fechados

Outro fator importante no outono é o comportamento das pessoas. Com temperaturas mais baixas, é comum permanecer mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com ventilação reduzida. Esse cenário favorece a circulação de vírus respiratórios e aumenta a chance de transmissão de doenças como resfriados, gripes e sinusites virais. Além disso, a presença de poeira, ácaros e poluentes em locais pouco ventilados pode agravar sintomas alérgicos.

Cuidados simples que ajudam a proteger as vias aéreas

Algumas medidas cotidianas podem ajudar a reduzir os efeitos do clima seco sobre o sistema respiratório.

Entre as principais recomendações estão:

• aumentar a ingestão de água ao longo do dia

• realizar lavagem nasal com soro fisiológico

• manter ambientes ventilados sempre que possível

• utilizar umidificadores de ar ou recipientes com água em locais muito secos

• evitar exposição excessiva à poeira

“A lavagem nasal com soro fisiológico ajuda a manter a mucosa hidratada e favorece a eliminação de secreções e impurezas. Aliada a uma boa hidratação e à umidificação do ambiente, essa medida pode ajudar muito na prevenção de irritações e complicações respiratórias”, orienta a médica.

Quando procurar avaliação médica?

Embora muitos sintomas sejam leves e temporários, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação especializada.

Entre eles estão:

• congestão nasal persistente

• secreção nasal espessa ou com odor

• dor facial

• febre associada a sintomas respiratórios

• crises alérgicas frequentes

Nessas situações, a avaliação de um especialista pode ajudar a identificar infecções, alergias ou outras condições que exigem tratamento específico.

“Com medidas simples de prevenção e atenção aos sintomas, é possível atravessar o período mais seco do ano com muito mais conforto respiratório”, conclui a especialista.

 

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