Brasileiros voltam a correr após prótese de quadril

* Crescimento das corridas de rua no Brasil impulsiona debate sobre mobilidade, envelhecimento ativo e retorno à prática esportiva após cirurgias ortopédicas. - (Crédito: imagem gerada por IA)

Estudo publicado na revista científica The Lancet comprovou que implantes modernos de quadril podem durar até 30 anos (ou mais)

As corridas de rua se transformaram em um dos maiores fenômenos esportivos do Brasil nos últimos anos. Em diferentes cidades do país, provas têm registrado recordes de inscrições, enquanto cresce também o número de pessoas acima dos 40, 50 e 60 anos buscando qualidade de vida, mobilidade e longevidade através da prática esportiva.

Nesse cenário, uma antiga dúvida volta aos consultórios médicos: afinal, quem passou por uma prótese total de quadril pode voltar a correr?

Durante muitos anos, a resposta mais comum era não ou talvez. Porém, o avanço das próteses modernas, da robótica e das técnicas cirúrgicas vem mudando esse cenário. Hoje, pacientes submetidos à artroplastia total do quadril conseguem retomar atividades físicas, incluindo a corrida, desde que haja preparo muscular adequado, reabilitação e acompanhamento médico especializado.

Segundo o Dr. Thiago Fuchs, médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho e quadril, o retorno ao esporte passou a fazer parte dos objetivos do tratamento.

“As próteses modernas evoluíram muito em durabilidade, estabilidade e segurança. Hoje conseguimos devolver mobilidade e qualidade de vida para pacientes que desejam voltar a uma rotina ativa, inclusive com prática esportiva. Mas esse retorno precisa acontecer de forma individualizada e responsável”, explica o ortopedista.

Esse é o caso do triatleta Thomaz Abreu Neto, 62 anos, que passou por artroplastia bilateral de quadril. Assim como todo paciente, ele acreditou que poderia curar a dor com fisioterapia, massagista, colágeno e infiltração na articulação, tudo para não ir para a cirurgia. Mas isso tudo só aliviava por um tempo.

Após um ano, Thomaz se convenceu que o caminho era a artroplastia de quadril. Se recuperou muito rápido da cirurgia - diz que foi mais simples do que imaginava - e voltou às corridas. Quando o outro lado do quadril começou a doer, não demorou nada para decidir operar, pois percebeu a qualidade de vida que a artroplastia lhe trouxe. Em pouquíssimos meses já voltou às corridas e, devagar, pretende voltar ao triatlon.

Próteses modernas de quadril

Historicamente, atividades de alto impacto eram associadas ao desgaste precoce das próteses de quadril de gerações anteriores. Com os implantes modernos, no entanto, as evidências científicas mais recentes mostram uma realidade diferente.

Um estudo internacional publicado recentemente na revista científica The Lancet analisou mais de 1,9 milhão de próteses de quadril em registros globais de pacientes. A pesquisa avaliou a durabilidade dos implantes modernos por até 30 anos e identificou taxas de sobrevida superiores a 92%, independentemente do tipo de superfície utilizada, incluindo cerâmica e polietileno de alta tecnologia.

Além disso, estudos clínicos mostram que a artroplastia total do quadril apresenta índices de satisfação superiores a 95%, permitindo que pacientes retomem atividades sociais, profissionais, de lazer e esportivas.

Retorno à corrida exige preparo muscular

Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas alertam que a volta à corrida não deve acontecer de forma imediata ou sem acompanhamento. De acordo com Dr. Thiago Fuchs, fatores como estabilidade da prótese, qualidade óssea, força muscular, equilíbrio, coordenação motora e tempo de recuperação precisam ser avaliados individualmente.

“O fortalecimento muscular é fundamental para proteger a articulação e absorver impacto. Os músculos glúteos, CORE, lombar, quadríceps e posteriores de coxa têm papel essencial para dar estabilidade ao quadril e ao joelho durante a corrida”, destaca.

A recomendação inicial costuma incluir superfícies mais macias e treinos intervalados, alternando caminhada e corrida leve. “A progressão deve ser gradual. O paciente precisa respeitar o processo de adaptação do corpo e manter acompanhamento médico e fisioterapêutico”, acrescenta.

Quando procurar avaliação médica

Pacientes que passaram por prótese total de quadril devem manter acompanhamento periódico da prótese, com consultas e exames de imagem regulares.

Dor intensa no quadril, virilha, glúteos ou coxa, além de dificuldade para caminhar ou mancar, são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.

Sobre o Dr. Thiago Fuchs

Dr. Thiago Fuchs é médico ortopedista formado pela Universidade Federal do Paraná. Há mais de 15 anos, dedica-se exclusivamente ao tratamento e cuidado de pessoas com problemas no quadril e joelho, buscando qualidade de vida saudável, mobilidade e alívio da dor.

 

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